quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

coragem

Momentos


Naqueles momentos em que estou assim... mais sonhador... mais.. mais... mais.. sei lá o quê!... gosto de ler e analisar essas frases feitas que se encontram por aí e que, geralmente são atibuidas a pessoas mais.. ou menos.. conhecidas. Penso que muitas dessas frases.. se não a maioria.. nunca devem ter passado pelo pensamento daquele que é entregue.. gosto preferencialmente das frases bonitas.. cheias de esperança.. de energia.. de vida.. de sonho... Analiso-as... concordo com algumas.. discordo de outras.. e depois esqueço-as, naturalmente..
Hoje acordei muito cedo.. como é hábito.. dei algumas voltas na cama.. percebi que já não voltaria a adormecer e resolvi vir até à net... depois de ler as notícias para ficar mais ou menos a par do que aconteceu por esse mundo, uma vez que já sei que durante o dia não vou voltar a ter tempo para saber o que quer que seja... naveguei por alguns sites de poesia... encontrei a frase que copiei para aqui.. já a tinha lido muitas vezes.. mas hoje li-a de modo diferente.. com mais atenção... Considerei-a uma optima frase para iniciar o dia... uma frase que.. no fundo.. nos diz que nada é impossivel desde que se queira.. e se faça por isso, claro.
"Fica estabelecida a possibilidade de sonhar coisas impossíveis e de caminhar livremente em direção aos sonhos."

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Estação de Perdas


Há horas em nossa vida
que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade,
de vazio...

Questionamos o porquê de nossa existência
e nada parece fazer sentido.
Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida,
aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente:

As perdas do ser humano.
Ao nascer,
perdemos o aconchego ,
a segurança
e a proteção do útero.

Estamos, a partir de então, por nossa conta.

Sozinhos.

Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente,
no momento em que perdemos algo,
outras possibilidades nos surgem.

Ao perdermos o aconchego do útero,
ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe:
nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói...

E continuamos a perder...e seguimos a ganhar.

Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão,
a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas
por que alguém ao nosso lado
nos assegura que não nos deixará cair...

E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por que?
Perguntamos a todos e de tudo...

Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas,
irremediavelmente deixadas para trás...

Estamos crescendo.

Nascer,
crescer,
adolescer,
amadurecer,
envelhecer,
morrer,
renascer (?)...

Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros.

Perdemos o direito de poder chorar bem alto,
aos gritos mesmo,
quando algo nos é tomado contra a vontade.

Perdemos o direito de dizer
absolutamente tudo que nos passa pela cabeça
sem medo de causar melindres.
Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso.

Receamos dar risadas escandalosamente
da bermuda ridícula do vizinho
ou puxar as pelanquinhas
do braço da vó com a maior naturalidade do mundo
e ainda falar bem alto sobre o assunto.

Estamos crescidos
e nos ensinam que não devemos ser tão sinceros.

E aprendemos..
E vamos adolescendo...
ganhamos peso,
ganhamos,
seios,
ganhamos pelos,
ganhamos altura....
ganhamos o mundo.

Neste ponto,
vivemos em grande conflito.

O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos...
ah! os sonhos!!!

Ganhamos muitos sonhos.
Sonhamos dormindo,
sonhamos acordados,
sonhamos o tempo todo.

Aí de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo...
todos nos admiram.

Tornamo-nos equilibrados,
contidos,
ponderados.

Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio,
a razão acima de tudo.

Mas não é justamente essa a condição
que nos coloca acima (?) dos outros animais?

A racionalidade,
a capacidade de organizar nossas ações
de modo lógico e racionalmente planejado? (???)

E continuamos amadurecendo....
ganhamos um carro novo,
um companheiro,
ganhamos um diploma.

E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar,
de andar descalço,
tomar banho de chuva,
lamber os dedos
e soltar pum sem querer...

Mas perdemos peso!!!
Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos - lhe aquele beijo estalado... mas apertamos as mãos de todos,
ganhamos novos amigos,
ganhamos um bom salário,
ganhamos reconhecimento,
honrarias,
títulos honorários
e a chave da cidade...

E assim,
vamos ganhando tempo....
enquanto envelhecemos.

De repente
percebemos que ganhamos algumas rugas,
algumas dores nas costas (ou nas pernas),
ganhamos celulite,
estrias,
ganhamos peso...
e perdemos cabelos.

Nos damos conta
que perdemos também o brilho no olhar,
esquecemos os nossos sonhos,
deixamos de sorrir...
perdemos a esperança.

Estamos envelhecendo.
Não podemos deixar pra fazer algo quando estivermos morrendo...
afinal, quem nos garante que haverá mesmo um renascer,
exceto aquele que se faz em vida,
pelo perdão a si próprio,
pelo compreender que as perdas fazem parte,
mas que apesar delas,
o sol continua brilhando
e felizmente chove de vez em quando,
que a primavera sempre chega após o inverno,
que necessita do outono que o antecede...

Que a gente cresça e não envelheça simplesmente...
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie...
Que tenhamos rugas e boas lembranças...
Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia... Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos...
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo,
mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos,
sintam-se amados mais do que saibam-se amados. Afinal, o que é o tempo?

O Homem


O homem sempre busca um colo de mulher para deitar... um carinho para sonhar... e uma lágrima para pensar em quanta dor ela apazigua no toque... em quanta magia ela encanta no olhar.... e quantas tristezas ela abafa no peito. Nossas paixões são imagens maternas.. nós, homens, somos carentes eternos de cuidados maternos..